"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Quem Sabe um Conto

billet

Leu o bilhete pela última vez, como se pudesse retê-lo nos recônditos da sua alma. Depois, e sem vacilar, o fez em pedaços e jogou no mesmo saco em que depositara outros papéis, de menor importância, para descarte. 

Procurava com esse gesto se livrar do passado? Não sabia ao certo, mas saber da existência daquele bilhete, com aquela caligrafia, aquelas palavras, de súbito lembrar as mãos que ali estiveram, por extensão lembrar dos braços, e com eles dos abraços, e com tudo isso lembrar do que foi, e não mais era, dilacerava a sua vida.

Rasgou. Agora aquele pequeno e potencialmente perigoso bilhete não mais poderia ser encontrado. A não ser que ousasse vasculhar a sua alma.
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Um comentário:

Luciana Ramos disse...

Uma psicóloga, uma vez, me disse que uma boa técnica para desabafar, os sentimentos mais intocados e intocáveis, mais invisíveis, seria escreve-los e depois rasgá-los. Desde então escrevo pra mim mesma, não bilhetes, mas cartas, de muitas páginas... depois rasgo, em micro pedaços... desabafo comigo mesma...