"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"... e nunca durmo."

PIRATA


Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.


Sophia de Mello Breyner

Um comentário:

Leandro S Mascarenhas Ribeiro disse...

Belo poema, minha cara.

Achei teu blog procurando novidades sobre Ribeira do Amparo. Infelizmente nao se tem mt coisa boa vindo de lá, né? Ah, deve ser uma correria ser professora lá e em SSa... parabens.