"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

quinta-feira, 26 de maio de 2011


LUZ DO SOL


A morte, como o sol, não pode ser encarada de frente” 
La Rochefoucauld

Acompanhei de perto os últimos momentos do meu pai, com a minha mãe, e depois irmãos. A sentença insólita do médico ainda ressoa: no máximo um mês de vida. E nem foi tudo isso, para uma pessoa que saiu da sua casa andando e falando, e não mais retornaria. Agora ele repousa em Ribeira do Amparo, junto com a sua mãe amada, e seu irmão Francisco (Chiquitinho), de uma família paterna marcada pela precocidade das mortes. Assim foi com Josefa (mãe), (e irmãos) Zelito, Francisco, Joãozinho, Serafim, Terezinha, e agora Sebastião, meu pai, aos 67 anos. 

Nesses dias de provação, o esvair da existência à nossa frente, sem que nada pudéssemos fazer, era como se a vida ou o encanto dela, também fosse morrendo. Nos é, então, exigido o impossível, compreender e aceitar, demandas quase inatingíveis, mas únicas alternativas para que viver não se transforme num imenso lamento. 

Ora mais forte, ora mais fragilizada, vou colando os pedacinhos... pois costumo encarar a dor, as nossas dores, como mais uma dentre tantas, aqui no planeta azul. Assim vou procurando convertê-la em mais força, vontade e certeza, de que diante da vida e seus mistérios, apenas sementes de amor e doação nos aproximam do Divino, do lugar de paz para todas as inquietações, angústias, medos e dores. Não levamos nada mais do que aquilo que deixamos.

Destino de todos nós, a morte nos desafia a mente, coração, e alma. "Talvez, no tempo da delicadeza", quem sabe num lindo reencontro com aqueles que se apressaram e partiram antes de nós, entenderemos plenamente o grande sentido de tudo isso. Luz do sol traduzida em folha, em graça, em vida, em força, em luz...


Ser humano do coração lindo, mesmo sendo o Sebastião dos martírios do seu santo, irmão de muitos, menino da Dona Josefa, esposo e amor absoluto da Professora Zete, painho de Alexandre, Graziela, Daiane e Bruno, avô de Renato. Conviveremos com a sua ausência graças a leveza do Tião sempre sorridente, brincalhão, amoroso, do bem.


Um dia, quando criança, pensei que era o meu herói, frustrei-me pois era apenas humano. Com o tempo, porém, fui percebendo a extrema beleza da sua humanidade, e de herói passou a ser o meu exemplo. Agradeço as orações, palavras e silêncios, mas sobretudo agradeço a honra e felicidade de ser a sua filha.


Com amor,


dai.
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Um comentário:

marcia disse...

prima obrigada pela linda mensagem que escreveu sobre tio tião ,seu pai.....sem tirar e nem por