"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Da série: Desabafos de uma Educadora em Crise

MUITOS EUROS E ALGUMAS BANANAS

Faz tempo que o futebol vem perdendo o brilho. Do bater de cabeça dos ídolos aos inebriantes dribles das cifras, a constatação: o amor cedeu lugar aos egos inflados, às gordas contas bancárias dos jogadores, dirigentes e empresários. Foi-se o tempo em que o problema do futebol estava centrado no erro crasso do juiz, que recaia sempre sobre a sua inocente mãezinha.

O que aconteceu na Copa da França? Por que a CBF é um feudo? Quem realmente escala a Seleção Brasileira? Quem joga por amor a camisa? Na impossibilidade de respostas que satisfaçam, o desencanto vai se impondo...

Em campo reinam os interesses do capital, e o torcedor é aquele que, incapaz de ir além da sua passionalidade, continua pagando a conta. Equipe na zona de rebaixamento, pela má administração de determinados cartolas, e lá está a torcida lotando o estádio para apoiar o time, crédula que o faz por amor, o sentimento que costuma nos deixar cegos.

As torcidas, que sofrem e deliram com os altos e baixos dos times brasileiros, são as mesmas que assistem impotentes ao mal despontar de um craque nas suas fileiras, para logo perdê-lo como atração do circo internacional do futebol. Pelos noticiários esportivos, com olhinhos sonhadores, poderão assistir as jogadas fenomenais, agora, apenas para inglês ver.

Alguém ai disposto a fazer a diferença? Calculadora na mão, resposta negativa.

Os seres humanos tendem aquilo que chamaria de comportamentos bocejantes, ou seja, todos farão o lugar comum do momento em que vivem. Ninguém capaz de suscitar um "oh"!

Não importa se, como estamos vendo agora, o Santos é o time do coração de parte da nova leva de craques brasileiros, o coração pulsa ao ritmo dos milhões dos clubes europeus. Não importa se bananas são lançadas aos gramados para jogadores brasileiros, latinos, africanos, revelando a raiz preconceituosa do Velho Mundo, o mesmo preconceito que garantiu durante séculos a vampirização dos demais continentes, pela Europa. Dane-se, eu tenho um preço, e eles podem pagar.

Torcer por quem, e para quê?

Então, enquanto os nossos jogares se vendem por muitos euros e algumas bananas, a minha torcida e empenho não se divide mais com flâmulas. Meu principal time, por enquanto na segunda divisão, por conta da estrutura sucateada, dos/as jogadores/as ainda mal remunerados/as, é a EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Único time capaz de fazer refletir sobre a coisificação humana, sobre os valores que balizam as nossas vidas, sobre a tal força da grana que, como diria o poeta, ergue e destrói coisas belas, sobre os famigerados euros e as nada apetitosas bananas.

Piegas e utópico? Talvez sim, mas venal nunca.

2 comentários:

Victor disse...

Show ! Parabens pelo post :D

dai-ane disse...

Valeu, Hbb!! Bjs!