"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

domingo, 30 de janeiro de 2011

Da série: Desabafos de uma Educadora em Crise

ATÉ QUE NEM TANTO ESOTÉRICO ASSIM
... se sou algo incompreensível, meu Deus é mais.


Num outro blog que criei e tento manter, recebi uma elogiosa mensagem anônima sobre os meus escritos, dizendo que seriam relevantes e motivados por nobres causas, ao mesmo tempo em que fazia uma ressalva: que eu deveria me aproximar mais de Deus, e discorria um pouco sobre Ele, concluindo que Ele ama a todos, e também me amava.

De pronto, me ocorreu: quanta propriedade para falar de mim! Quanta propriedade para falar de Deus!

Muitos são os que falam de Deus, em Deus, em nome de Deus! Confiantes nas suas palavras, a impressão é que muitos deles ao falarem sobre Deus sentem-se felizes e aliviados, acreditando prestar um serviço que acumula bônus celestiais. Quanto mais vezes repetirem a palavra “Deus”, mais parecerem próximos, mais estariam próximos de Deus.

Desta forma, é que além de falarem de Deus, em Deus, e em nome de Deus de maneira renitente, ainda reparam, investigam, buscam interpretar indícios do que no "outro" difere deste comportamento. Uma vigilância-bônus-plus, talvez, ou no mínimo uma interpretação ingênua do que seria certo e errado, ansiando mostrar o certo.

Mistério. Deus é necessariamente uma experiência individual, íntima, apesar de poder ser vivenciada coletivamente. Envolta em Mistério e complexidades, a Sua existência não pode ser reduzida a apologias vazias. Deus, ou a experiência divina de cada um, passa necessariamente pela capacidade de Amor, e decorrente exercício de Respeito. Inclusive o respeito de não exigir que tenha que se estar de joelhos, ou com determinado corte de cabelo, determinada roupa, ou intercalando a palavra “Deus” a cada frase proferida, para se fazer próximo daquilo que seria a sua Graça.

Ao invés de repetir exaustivamente a palavra Deus, para fora, repito-a para dentro. Invoco-a, indago-me, busco-a... Pretendendo vivê-la como parte de mim, a parte de mim e de nós, que é Deus.

Então, antes de falarmos de Deus, em Deus, em nome de Deus, de qualquer pessoa, devemos pensar o quanto somos limitados, falhos, o quanto ignoramos o insondável coração humano, e o quanto não podemos, a partir das nossas teorias e elucubrações, reduzir o coração Divino.

* Imagem “A Casa Deus” (...) o local da consciência, da fusão com o divino. A mensagem desses velhos tarôs é simples: cada um de nós pode, com suas própria forças e sem qualquer intervenção exterior de qualquer natureza que seja, entrar no estado de consciência em que é iluminado pela branca luz daquilo que os religiosos chamam de divino.  

Um comentário:

Fabiana disse...

De uma sensibilidade sem igual sua colocação, Dai.
O modo como as pessoas tem fé, parte do que elas experimentam e tomam como indício da existência de Deus...
Respeito acima de tudo, sempre.
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ps: É verdade... quanto tempo... estou no momento reclusão, as minhas férias são sempre assim.