"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

domingo, 11 de julho de 2010

Da série, meus poemas: Brasilixando-se.

BRASILIXANDO-SE

Era uma viagem de estudantes. Congresso da UNE, todos em Goiânia. Primeira experiência naquele universo... Expectativas, ansiedade, debates, extremismos, distanciamento...

Ao contra-censo, preferimos ficar na praça confabulando poesia, enquanto se digladiavam os jovens defensores de uma sociedade mais igualitária, justa, plural...

Sentados sugeríamos "motes" para os nossos possíveis poemas... Foi quando senti uma presença. Eram muitos, centenas, uniformizados com o abóbora chamativo do uniforme característico. Garis.

Enquanto a votação corria longe, eles e elas limpavam a praça para nós estudantes.

... Um deles progressivamente foi se aproximando de onde estávamos. 

Sutilmente observava seu movimento, e era perceptível a alegria por estarmos ali. Estudantes do Brasil inteiro.

Me senti contagiada, sentimentos são contagiantes. Havia (então) reciprocidade. No entanto, quando todo esse movimento se transformou num trocar de sorrisos, senti-me despedaçar...


Do encontro, nasceu um poema. Este poema que ora compartilho com vocês:

BRASILIXANDO-SE

O gari à minha frente
varria a sujeira do jardim
num lance, de repente,
parou e olhou pra mim.

Além da felicidade,
notei que faltava-lhe um dente.

Num país de garis sem dentes,
constata-se, revela-se,
que a sujeira,
a maior parte dela,
escapa à vassoura do sorridente.


dai.

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