"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

domingo, 23 de maio de 2010

Da Série: Meus Poemas


 ESCONDE-ESCONDE
Ao poeta Damário DaCruz


A criança pulsante e atenta..
varre a amplitude do espaço,
 aos saltos, espera  e deseja...

A brincadeira é de esconder
E escondido está quem se ama
Quer seja atrás da porta
Camuflado num lençol
Ou debaixo da cama.

A criança pulsante e atenta..
Descobre, neste compasso,
 Aos saltos, o que é espera e desejo...

Arqueja.

Mas... tcharam!
Acaba a espera e a ânsia
Corre-se para o abraço
Todos se fazem infância.

E eu sempre penso que é assim...
A morte é brincadeira de esconde-esconde
Onde só há a espera lancinante
De quem se ama e não mais vem.

... e ficamos crianças arfantes
(impotentes)
Nesta interminável brincadeira
De absoluto mau gosto.


dai.

2 comentários:

Luciana Ramos disse...

Engraçado, Dai, não conheço pessoalmente Damário, mas conheço a esposa e os filhos. Essa semana, volta e meia, me deparo com poemas dele. Porém, esse, foi o mais bonito...
Obrigada!!!

Quezia Neves disse...

Uma vida cheia de consciência e intensidade
pede
o reconhecimento da hora de partir
merece
um Gran finale.

Eis o último poema de Damário da Cruz:

Gran finale

Avise aos amigos
que preparo o último verso

A vida
Dura menos que um poema
E no alvorecer mais próximo
saio de cena.