"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

FALTA EMPATIA
Ou como é tosco o ser humano.

Empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Imprescindível para o desenvolvimento da nossa humanidade sensível e atenta ao bem comum. Apesar de ser tão importante, a empatia não é algo tão usual assim. Sabemos que impera na dinâmica pós-moderna o egoísmo, que é exatamente a incapacidade de nos colocarmos no lugar do outro, já que neste caso orbitarmos em torno de nós mesmos.

Os últimos dias tem sido um bombardeio de coisas que afetam a nossa humanidade, da prova cabal da nossa falta de empatia. É um menino cravado de agulhas ali... Uma família esmagada por um militar fazendo pega acolá... Fora um abrigo onde viviam aproximadamente 90 idosos, literalmente enjaulados.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

O conceito de humanidade está relacionado com a nossa capacidade de modificar a natureza, para criar um novo lócus onde tivéssemos proteção: da chuva, do frio, do sol, da fome, da morte.

Fugíamos da dor, por isso criamos a chamada sociedade. No entanto, ironia total, nos transformamos nos algozes dos quais julgamos nos defender. Hoje temos medo de nós mesmos, e não por acaso, pois já demos provas suficientes do que somos capazes.

Clarice Lispector, no seu escrito Mineirinho, traduz o sentimento com relação a tudo isso. Infelizmente somos também responsáveis pelo que acontece, por ação ou omissão no cuidado com o outro, no exercício da alteridade.

Mais de quarenta agulhas no corpo de uma criança, mãe e filha esmagadas por um carro em busca de adrenalina, idosos enjaulados pelo que proporcionavam de lucro.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

Um amigo presente na operação do abrigo monstruoso, relatou que uma das idosas enjauladas, chamava de maneira doce uma das promotoras presentes na ação. Dizia ela, moça bonita, venha cá! E repetia, moça bonita, venha cá!. Quando se aproximou a promotora percebeu que a mesma se servia das suas próprias fezes como alimento, e imaginou poder partilhar.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

Como disse brilhantemente Malu Fontes, não é apenas o dono do abrigo o criminoso responsável por tudo isso. Essas pessoas possuem familiares, possuem alguém, e quem abandona é tão monstruoso quanto quem explora. O que também assusta, ainda segundo a professora Malu Fontes, é que o abrigo recebia dinheiro público, sem ter alguma forma de controle, fiscalização. Porém, que mais assusta, é que somos nós seres humanos os protagonistas de tudo isso.

Pagávamos pela barbárie, fazemos a barbárie.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

Pior que sabemos a resposta.

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