"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


A CASA DA ESCOLA
Sou de uma família de Educadoras. Minha Avó, D. Santinha, ministrava aulas na Fazenda Frade, o lugar era conhecido como “Casa da Escola”. Não, não era uma escola, e não era uma casa. Era deveras uma “Casa da Escola”.
Ficava num dos terrenos de vovó, um quadriculado de terra cercado de arame. Dentro dele, só uma construção, o resto era mato. Muitos foram os seus alunos, e me recordo da cartilha, e de que lá não existia Alfabetização, Primeira ou Segunda Série, era tudo junto. Havia ainda um lugar, um cabide coletivo para chapéus, lá fazia muito sol e desde cedo o chapéu se tornava parte da indumentária.
Para ser professora, minha avó que não era formada, foi fazer um curso intensivo na “Rua”, como se chamava a parte urbanizada do município, para aprender, dentre outras coisas, as quatro operações. Se tornou uma grande professora, e mesmo Rosalvo, que não gostava deste negócio de estudar a tal ponto que chorava de furar a cartilha com as suas lágrimas e nariz escorrendo, admirava e tinha orgulho dela.



Um dos lances mais marcantes que já pude ter conhecimento, se deu lá na “Casa da Escola”, e é para mim revelador da épica educacional brasileira. No afã de homenagear o seu país no Sete de Setembro, D. Santinha (foto acima) manda comprar por seu irmão Antonio, mascate que viajava de tropa para Alagoinhas, um tambor.
Foram dias de expectativa!


Tamanha a inocência de todas as personagens envolvidas na história, traz meu tio o tão desejado tambor, porém era um tambor de brinquedo. Como se fosse “de verdade” vovó recebe o instrumento, e se põe a treinar com um dos seus alunos o acompanhamento do hino, para a solene comemoração cívica da Independência do Brasil.


Essa é uma das imagens que me emociona e me move até hoje como educadora, daquela professora e dos seus alunos de um lugar invisível, perdido nos rincões do Nordeste, a entoar no terreiro, enfileirados, orgulhosos, realizados e acompanhados por um tambor de brinquedo, o Hino Nacional Brasileiro.


E ninguém os viu.

2 comentários:

Maria Muadiê disse...

Estamos vendo e ouvindo agora,m através de você.
Que lindeza, Daiane.
(vejo o rosto dela em vc)
beijo

jaquelini disse...

poxa prima fiquei muito emocionada com a historia de d.santinha ...sabe a cada dia me orgulhos do nosso parentesco...vc é simplismente d+