"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DOS ESTÚDIOS DE WALT DISNEY...
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Todos os meu alunos e alunas (com raras exceções) têm como viagem dos sonhos, a Disney. E eis que o sonho aqui é um recurso meramente retórico, não é apenas sonho: irão para a Disney, foram para Disney, querem retornar para a Disney!... Excursões com o >pessoal< dos colégios particulares pipocam durante as férias, com centenas de jovens acreditando piamente desejarem, CREIAM, a mesma coisa.


O desafio é convencê-los de que talvez não seja bem assim!... Tentar mostrar como podem pensar/desejar “igual”, se cada ser é singular, idiossincrático, único? Tentar problematizar o fato de vivermos num estado, país, num mundo, cujo tamanho e variedade de cores, vidas, idéias, línguas, paisagens, culturas, arquiteturas, literaturas, chegam a paralisar de tanta fartura. Menu interminável. Por que, então, tantos seres diferentes desejariam a Disney de maneira igual?


Os argumentos são interessantes, pois tentam de toda forma me mostrar que deveras é fantástico, impressionante, extraordinário, que só-indo-lá-pra-saber!... A discussão recorrentemente se prolonga intensa, com todos imbuídos de uma certeza absoluta, enquanto apenas quero me valer do exercício da dúvida: Por que é tão bom assim?


O ponto aristotélico (“existem coisas tão óbvias que ninguém consegue ver”) é a chave da questão: o problema não é que ela não seja tudo isso, O PROBLEMA EXATAMENTE É QUE ELA É TUDO ISSO!... A Disney foi pensada exata e milimetricamente para ser extasiante, inefável, quiçá irreproduzível, com a característica mor de ser um êxtase pago. E todo prazer venal, acredito, deve ser olhado de soslaio.


Vale salientar que fui leitora assídua e apaixonada das revistinhas Disney, e muito do que NÃO aprendi no meu colégio, aprendi com elas. A dimensão espacial do planeta me chegava através das personagens viajando mundo afora, a dimensão humana também se fazia sentir, na ingenuidade de um Pateta (iac iac), na inventividade de um Professor Pardal, nos infortúnios de um Pato Donald, na ambição de um Tio Patinhas, até mesmo e sobretudo no estereotipado Zé Carioca e a sua (nossa) turma.


Mas estamos falando da Disney materializada nos EUA. Me pergunto, dessa forma, como poderá um jovem educar o olhar, a sensibilidade para ver as sutilezas da vida, como a drummoniana flor que rompe o asfalto opressor, a cidade que a esmaga (e nasce!), se tem como parâmetro o grandioso e o espetacular, apenas?


Tudo isso não exclui a Disney dos roteiros de viagem, só a redimensiona, procura entender o seu sentido, apontar para a diferenciação necessária entre as coisas, para que possamos compreender o nosso lugar dentro de tudo isso.


Um só caminho nos conduz somente para um mesmo lugar. O pedido é que façamos sempre um pacote para a vida, e sejamos o nosso próprio agente de viagens. Ir para todos os lugares se possível, grandes ou pequenos, “bonitos” ou não, midiáticos ou invisíveis, em todos eles teremos coisas a aprender e levar, e coisas a ensinar e deixar, não somente os nossos dólares.


P.S.- Por falar nisso, precisam conhecer Ribeira do Amparo.

Um comentário:

Anônimo disse...

sim presisamos conhecer Ribeira do Amparo.....

mas vc não nos leva para conhecer Ribeira...