"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

sexta-feira, 8 de maio de 2009



O PORCO

Deu o “porco” é a expressão usada para definir aquele momento no jogo de damas, em que não se tem mais jogadas possíveis. Não obstante os dois lados ainda terem peças, já não mais existem caminhos. As ações precedentes levam ao “porco”. Último ponto da jornada, tudo preso, estanque, fim.

... Eis que vemos o mundo, este mesmo: “azul”, com fronteiras, farturas e “falturas’, dando o “porco”.

Risco de Pandemia e os jornais (quem sabe no apelo da economia?) insistem quase em desespero: não é o porco, não é o porco! Mas, em tom grave e repetindo o quanto é grave, é sério e perigoso a Gripe A (quem sabe cedendo aos apelas da indústria farmacêutica).

Lamento, mas é o “porco” sim! ... Aquele mesmo porco do Velho jogo de Damas. Estamos sendo jogados contra-a-parede da existência, enclausurados nas nossas próprias toscas edificações. Sendo emparedados!

Nós, os Senhores do Excesso: é comida demais, marcas demais, carros demais, fome demais, engarrafamentos demais, poluição demais, desamor demais, egoísmo demais. O “porco”, a crise e a onda (tsunâmica) dizem: estamos sendo varridos!

Para que servimos mesmo (oh egos inflados)? Outro dia do alto vi que as cidades durante o dia parecem cicatrizes, e à noite parecem âmbar escorrendo das entranhas da terra. Pulsantes. Fascinantes.

Me encantei com a potencialidade humana, e creio que lá do transcendente seja sempre esta sensação... Até que descemos e constatamos que uma criança dorme ao relento. A beleza sucumbe. Quem somos nós?

... Tragicômicos seres! Bufões que ambicionam a totalidade e o acúmulo sem fim, inconscientes de que o nosso jogo encerra num apito de morte, como diria o poeta, a Indesejada.

E tudo fica, sobretudo o que sobra. As nossas s-obras. O PORCO. ... E tudo s-obra além da matéria que perece, sejamos então além da matéria, uma prece... Jesus era uma prece. Gandhi era a sua prece. Irmã Dulce buscava nas ruas, a prece.

Lembremos,
“o animal saciado dorme”.

Agora responda: O que lhe apetece? Qual a sua prece?

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dp
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3 comentários:

Anônimo disse...

...

jaira disse...

minha prece é a pressa. e de tão apressada já estou emparedada a espera do fim de linha, do ato, do velho. topa uma nova partida? é sempre bom recomeçar uma jogada. PLAY

Julio Domingos disse...

Seu texto é uma prece e o silêncio sempre a finaliza.
JC/